
28/08/2025 | Redator
Se você acha que compliance e gestão de riscos são apenas burocracia ou um “mal necessário”, é hora de rever essa ideia. Estamos entrando em um cenário em que a integridade, a transparência e a capacidade de se antecipar aos riscos não são apenas diferenciais, são o que vai definir quem fica e quem sai do jogo.
E, olhando para 2025 e 2026, algumas tendências já estão batendo na porta das empresas. Quer entender quais são e como se preparar? Então vem comigo.
A força da tecnologia e da inteligência artificial
É impossível falar de tendências sem citar a inteligência artificial (IA). Ferramentas de machine learning, big data e automação estão transformando a forma como as empresas identificam riscos e garantem conformidade.
Em vez de depender apenas de auditorias manuais e relatórios demorados, os times de compliance já podem contar com dashboards inteligentes que apontam padrões suspeitos em tempo real, seja em movimentações financeiras, contratos ou até no comportamento de fornecedores.
Em 2026, a expectativa é que a IA se torne parte obrigatória de programas de compliance em grandes corporações, especialmente para mapear riscos regulatórios e prevenir fraudes.
ESG e compliance andam de mãos dadas
Você já deve ter percebido que ESG (Environmental, Social and Governance) deixou de ser modinha. Ele está cada vez mais entrelaçado com compliance e gestão de riscos.
Empresas que não cuidam do impacto ambiental, que não têm diversidade no quadro de colaboradores ou que não garantem práticas éticas de governança estão ficando para trás. E não é só por reputação: investidores, consumidores e até fornecedores estão cobrando isso.
Em 2025 e 2026, veremos uma integração ainda maior entre programas de compliance anticorrupção (ISO 37001), governança (ISO 37301) e métricas ESG. Ou seja: não basta ter políticas internas bonitas no papel, é preciso provar que você cumpre o que promete.
A pressão regulatória só vai aumentar
Lembra de quando as empresas viam leis como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) como um desafio passageiro? Pois é. Agora, o ritmo só acelera.
Novas regulamentações em áreas como proteção de dados, combate à lavagem de dinheiro, anticorrupção e responsabilidade climática estão surgindo em diversos países. Isso significa que multinacionais vão precisar alinhar suas operações globais, enquanto empresas nacionais terão que se adaptar rápido às novas exigências.
Para 2025 e 2026, a tendência é de mais fiscalização e multas mais pesadas. As autoridades estão cada vez menos tolerantes com falhas, especialmente em setores de alto impacto como saúde, financeiro e infraestrutura.
Cultura de integridade acima de tudo
De nada adianta adotar ferramentas modernas se a equipe não compra a ideia. Uma das maiores tendências é a criação de uma cultura de integridade que vai além do manual de compliance.
Isso significa:
- Treinamentos práticos e dinâmicos (não só aquele PPT chato).
- Incentivo à denúncia com canais confiáveis e anônimos.
- Liderança pelo exemplo, diretores e gestores praticando o que pregam.
As empresas que conseguirem criar esse ambiente vão não só evitar riscos, mas também aumentar o engajamento interno. Afinal, quem não quer trabalhar em um lugar transparente e justo?
Gestão de riscos mais preditiva
Se antes a gestão de riscos olhava para o que já tinha acontecido, agora ela precisa antecipar cenários futuros.
Com o avanço das ferramentas de análise preditiva, será possível identificar riscos antes mesmo de eles se tornarem problemas. Exemplo: prever falhas em contratos de fornecedores, calcular a probabilidade de sanções regulatórias ou identificar tendências de mercado que podem impactar a reputação da empresa.
Isso muda o jogo porque a empresa deixa de ser reativa e passa a ser estrategicamente proativa.
Maior atenção a terceiros e cadeia de suprimentos
Não adianta a sua empresa estar em conformidade se o seu fornecedor ou parceiro não está. Cada vez mais, vemos casos de companhias que sofreram multas e danos à reputação porque um parceiro agiu de forma incorreta.
Por isso, due diligence em terceiros vai ganhar ainda mais força em 2025 e 2026. E aqui entra a tecnologia novamente: plataformas de monitoramento contínuo já conseguem avaliar reputação, histórico regulatório e até impacto socioambiental de fornecedores em tempo real.
Automação dos relatórios de compliance
Quem trabalha com compliance sabe: relatórios consomem tempo. Mas isso está mudando.
Novas ferramentas já permitem gerar relatórios automáticos integrados a sistemas ERP e CRMs, cruzando dados internos e externos. Isso não só facilita a vida da equipe como garante mais confiabilidade e transparência nas informações prestadas a órgãos reguladores e investidores.
Em 2026, a previsão é que os relatórios manuais se tornem praticamente obsoletos.
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O papel do compliance na reputação corporativa
Antes, compliance era visto como algo interno, restrito a evitar problemas legais. Agora, é cada vez mais uma estratégia de marca.
Empresas que demonstram práticas sólidas de compliance transmitem confiança para clientes, parceiros e investidores. Na prática, isso significa mais negócios, maior valorização de mercado e fidelização de clientes.
Ou seja: investir em compliance não é custo, é estratégia de crescimento.
Integração entre compliance e inovação
Pode parecer contraditório, mas inovação e compliance andam lado a lado. Startups e empresas de tecnologia estão entendendo que crescer sem uma base sólida de integridade pode ser um tiro no pé.
A tendência é que compliance seja incorporado desde o início do ciclo de inovação, acompanhando o desenvolvimento de novos produtos, serviços e tecnologias. Isso evita que problemas de segurança, privacidade ou ética surjam lá na frente.
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Formação de profissionais multidisciplinares
Por fim, um ponto essencial: o perfil do profissional de compliance está mudando.
Não basta conhecer leis e regulamentos. O profissional de 2025 e 2026 precisa ser multidisciplinar: entender de tecnologia, análise de dados, comunicação e gestão de crises.
Empresas que investirem na capacitação desses profissionais terão times muito mais preparados para enfrentar os desafios futuros.
Conclusão
O cenário de compliance e gestão de riscos para 2025 e 2026 é desafiador, mas cheio de oportunidades.
Empresas que enxergarem compliance não como burocracia, mas como parte da estratégia de negócios, vão ganhar vantagem competitiva. A combinação de tecnologia, cultura de integridade e visão preditiva será o grande diferencial.
No fim das contas, a pergunta que fica é: Sua empresa está pronta para esse futuro ou vai correr atrás do prejuízo?
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