20/01/2026 | Redator
Você já parou para pensar em como as atitudes das pessoas estão mudando quando se trata de escolher marcas e serviços? Não é segredo que consumidores estão mais exigentes, mas alguns números recentes chamam atenção e dão pistas valiosas sobre o futuro dos negócios.
Uma pesquisa nacional revelou que 48% dos brasileiros confiam mais em marcas que investem em proteção ambiental. Isso não é um detalhe irrelevante. Isso significa que quase metade da população enxerga sustentabilidade não como um “fator legal” ou um diferencial eventual, mas como um critério central de credibilidade. É um sinal claro de que a sustentabilidade, e toda a agenda ESG, deixou de ser apenas uma sigla bonita no relatório anual e passou a ser parte da decisão de compra e do relacionamento com as empresas.
Sustentabilidade virou critério de confiança, não só de marketing
Para muita gente, pode até parecer “óbvio” que as pessoas valorizam práticas sustentáveis. Mas os números mostram que isso não é apenas uma questão de discurso popular. A pesquisa ouviu mais de 2 mil brasileiros em todas as regiões do país, e indicou que o investimento em proteção ambiental é tão influente quanto outro fator que muitos consideram essencial: a geração de empregos. Ambos foram citados por 48% dos entrevistados como motivo para confiar em uma marca.
Ou seja, a sustentabilidade ambiental tem o mesmo peso de um fator econômico concreto no julgamento dos consumidores. Não é só sobre o planeta, mas sobre confiança, reputação, e sobre como a marca se posiciona no mundo real.
Quem valoriza mais a sustentabilidade?
Outro achado interessante é que a preocupação com o meio ambiente não é uniforme entre todas as pessoas. A pesquisa mostra que ela é influenciada por nível de renda e escolaridade.
Pessoas com ensino superior foram mais propensas a apontar a proteção ambiental como motivo de confiança (55%), enquanto essa porcentagem cai para 39% entre aqueles com ensino fundamental. Também se observou um reflexo da renda: 56% dos entrevistados com renda entre dois e cinco salários mínimos consideram a sustentabilidade um fator decisivo, enquanto entre os que ganham até um salário mínimo o percentual foi de 39%.
Esses números mostram que, embora a preocupação com o meio ambiente esteja crescendo, ela ainda se encontra num processo evolutivo dentro da sociedade brasileira. E isso abre espaço para as empresas não apenas responderem a essas expectativas, mas liderarem essa conversa, educando e engajando diferentes públicos.
A consciência ambiental está crescendo, mas ainda há desafios
Outro dado curioso da pesquisa é que, apesar do aumento da preocupação com o meio ambiente, o caminho ainda exige esforço coletivo. Quase todos os entrevistados afirmaram evitar desperdícios e geração de resíduos, e 75% disseram que reciclam, com o plástico sendo citado como o material mais reciclado (90% dos participantes). Isso indica que hábitos sustentáveis estão cada vez mais presentes no dia a dia dos brasileiros.
No entanto, ainda existem obstáculos. A falta de informação foi mencionada como o principal empecilho para práticas mais sustentáveis (28% dos entrevistados), seguida pela falta de pontos de coleta seletiva (17%) e pela ausência de hábito ou tempo (9%).
Isso significa que, mesmo com uma comunidade mais consciente, ainda existe uma lacuna entre intenção e ação. E é justamente aí que as empresas podem fazer a diferença.
O papel das empresas na jornada ESG
Dados como esses deixam uma mensagem clara: as empresas que apenas dizem que se preocupam com o ambiente não estão acompanhando o que os consumidores realmente esperam hoje.
E essa expectativa não se limita apenas à proteção ambiental. Pesquisa global já mostrou que, para muitos consumidores brasileiros, a proteção de seus dados pessoais também é um fator extremamente importante para estabelecer confiança em uma marca, algo mencionado por 90% dos entrevistados em outro estudo.
Ou seja, a confiança não é construída apenas com boas intenções ambientais, mas com ações concretas em diversas frentes, meio ambiente, transparência, privacidade, governança e impacto social.
Quando sustentabilidade se torna vantagem competitiva
É importante destacar que essa preocupação dos consumidores não é apenas uma questão ética. Está se tornando uma vantagem competitiva real. Empresas que conseguem demonstrar compromisso com práticas sustentáveis e com a proteção ambiental tendem a:
- atrair consumidores mais conscientes e engajados;
- fortalecer relações de longo prazo com clientes;
- reduzir riscos de imagem e reputação;
- se destacar entre concorrentes que ainda tratam sustentabilidade como marketing.
Esse movimento já pode ser visto em diferentes mercados. Por exemplo, uma pesquisa mostrou que os selos de sustentabilidade como o selo eu reciclo são fundamentais para a decisão de compra de muitos consumidores, mais até do que a recomendação de amigos.
Além disso, outros estudos revelam que brasileiros das gerações mais jovens, como Z e Millennials, não apenas valorizam práticas sustentáveis, mas estão dispostos a pagar mais por produtos e serviços que respeitam o meio ambiente.
Mas ainda há ceticismo, e isso exige transparência
Nem tudo são flores. Existem também pesquisas mostrando que muitos consumidores ainda desconfiam do comprometimento real das empresas com práticas ambientais. Um estudo apontou que apenas 36% dos entrevistados acreditam que as marcas realmente se importam com questões socioambientais, enquanto uma boa parte ainda vê isso como uma mistura entre genuína preocupação e estratégia de marketing.
Esses dados nos lembram de algo essencial: não basta comunicar intenções sustentáveis. É preciso demonstrar ações concretas, métricas claras e resultados transparentes.
Como as empresas podem responder a essa expectativa
Diante desse cenário, como empresas podem transformar esse desejo do consumidor em resultados reais?
1. Planejar ações ambientais mensuráveis
Apenas declarar que “somos sustentáveis” não convence mais ninguém. É fundamental estruturar políticas ambientais claras, com metas, indicadores e relatórios que mostrem o que está sendo feito de verdade.
2. Integrar ESG na estratégia de negócio
Sustentabilidade não é uma ação isolada. Ela precisa fazer parte da estratégia geral da empresa, influenciando decisões sobre produtos, processos, parcerias e operações diárias.
3. Comunicar com transparência
É uma das chaves para ganhar e manter a confiança dos consumidores. Relatórios públicos, divulgação de metas e resultados ambientais, participação em iniciativas relevantes e diálogo aberto com stakeholders são passos essenciais.
4. Engajar diferentes públicos
Talvez o maior desafio seja engajar não apenas clientes ou tomadores de decisão, mas colaboradores, comunidade e sociedade em geral. Isso pode incluir educação ambiental, parcerias com ONG’s ou ações locais de impacto social e ambiental.
O papel de consultorias especializadas
Para muitas empresas, estruturar todas essas iniciativas de forma coerente pode parecer um grande desafio. É aí que consultorias especializadas em ESG, como a Solarplex, entram. Ajudar a empresa a:
- entender o cenário regulatório e de mercado;
- identificar indicadores relevantes;
- estruturar processos auditáveis;
- construir relatórios transparentes;
- conectar ações ambientais com governança e compliance;
Faz toda a diferença entre uma estratégia de fachada e uma gestão ambiental consistente e eficaz.
Conclusão
Os números da pesquisa deixam claro que o Brasil está em transição. A sustentabilidade deixou de ser um argumento opcional e passou a ser um critério central para ganhar confiança. Consumidores estão mais exigentes, mais informados e mais conscientes do impacto que suas decisões de compra causam no meio ambiente e na sociedade.
Empresas que perceberem isso em 2026 terão vantagem competitiva. Não se trata apenas de sobreviver, mas de crescer com confiança, reputação e legado. Sustentabilidade, quando bem feita, se traduz em confiança, e confiança vira resultado.