15/01/2026 | Redator
Durante muito tempo, falar em segurança da informação parecia algo distante da realidade de muitas empresas. Era um tema restrito ao time de TI, tratado como algo técnico demais, caro demais ou “para depois”. Mas esse cenário mudou, e mudou rápido.
Hoje, dados são ativos estratégicos. Informações de clientes, contratos, projetos, decisões automatizadas, relatórios financeiros e até conversas internas fazem parte do que mantém uma empresa funcionando. Proteger tudo isso não é mais uma questão de tecnologia, mas de gestão, governança e sobrevivência no mercado.
E é exatamente nesse ponto que entram as normas de segurança da informação.
O que é, afinal, segurança da informação?
Segurança da informação é o conjunto de práticas, processos e controles criados para proteger informações contra acessos não autorizados, vazamentos, perdas, alterações indevidas ou indisponibilidade.
Ela se baseia em três pilares fundamentais, conhecidos como a tríade CIA:
- Confidencialidade: apenas pessoas autorizadas acessem a informação
- Integridade: os dados não podem ser alterados indevidamente
- Disponibilidade: a informação precisa estar acessível quando necessária
Quando um desses pilares falha, o impacto vai muito além do prejuízo técnico. Estamos falando de multas, perda de contratos, danos à reputação e quebra de confiança com clientes e parceiros.
Por que a segurança da informação virou prioridade estratégica?
Alguns fatores explicam por que a segurança da informação deixou de ser “opcional”:
- Aumento exponencial de ataques cibernéticos
- Crescimento do trabalho remoto e híbrido
- Uso intensivo de cloud computing
- Avanço da Inteligência Artificial e automações
- Maior rigor da LGPD e de regulações internacionais
- Clientes mais exigentes e atentos à proteção de dados
Em 2025, muitas empresas aprenderam da forma mais difícil que o improviso não protege ninguém. Em 2026, a tendência é ainda mais clara: quem não estrutura segurança, fica fora do jogo.
As principais normas de Segurança da Informação
Para sair do improviso e estruturar segurança de forma séria, as empresas recorrem às normas internacionais. Elas oferecem método, clareza e governança. Vamos às principais.
ISO/IEC 27001: O pilar da segurança da informação
A ISO/IEC 27001 é a principal norma de segurança da informação no mundo. Ela estabelece os requisitos para a criação de um Sistema de Gestão de Segurança da Informação (SGSI).
Na prática, a ISO 27001 ajuda a empresa a:
- Identificar riscos de segurança
- Definir controles adequados
- Estabelecer políticas claras
- Monitorar incidentes
- Promover melhoria contínua
Mais do que tecnologia, ela foca em processos, pessoas e cultura organizacional.
ISO/IEC 27002: Controles de segurança
A ISO/IEC 27002 complementa a 27001 trazendo um guia detalhado de controles de segurança, como:
- Controle de acessos
- Segurança física
- Gestão de ativos
- Criptografia
- Continuidade de negócios
Ela funciona como um “manual prático” para implementar os controles exigidos pelo SGSI.
ISO/IEC 27701: Privacidade da informação
Com a LGPD e outras leis de proteção de dados, a ISO/IEC 27701 ganhou enorme relevância.
Ela estende a ISO 27001 para criar um Sistema de Gestão da Privacidade da Informação (SGPI), ajudando empresas a:
- Tratar dados pessoais de forma adequada
- Definir papéis como controlador e operador
- Gerenciar consentimentos
- Reduzir riscos regulatórios
É uma norma essencial para empresas que lidam com dados pessoais em escala.
ISO/IEC 27017: Segurança em ambientes de nuvem
Se sua empresa usa cloud (e quase todas usam), a ISO/IEC 27017 é fundamental.
Ela traz diretrizes específicas para segurança da informação em serviços de nuvem, tanto para:
- Provedores de cloud
- Empresas que utilizam serviços em nuvem
A norma ajuda a esclarecer responsabilidades e reduzir riscos nesse ambiente compartilhado.
ISO/IEC 27018: Proteção de dados pessoais na nuvem
A ISO/IEC 27018 foca especificamente na proteção de dados pessoais em ambientes de cloud computing.
Ela reforça boas práticas relacionadas a:
- Confidencialidade
- Transparência
- Tratamento adequado de dados pessoais
Muito utilizada por empresas que oferecem ou consomem serviços em nuvem com dados sensíveis.
TISAX: Segurança da informação no setor automotivo
No setor automotivo, a segurança da informação ganhou um padrão próprio: o TISAX.
Criado pela Associação Alemã da Indústria Automotiva (VDA), o TISAX:
- Avalia maturidade em segurança da informação
- Protege propriedade intelectual
- É exigido por montadoras e grandes fornecedores
Sem TISAX, muitas empresas simplesmente não conseguem fechar negócios nesse mercado.
Segurança da informação não é só TI. É cultura.
Um erro comum é achar que a segurança da informação se resolve com firewall, antivírus e ferramentas caras. A realidade é outra.
Grande parte dos incidentes acontece por:
- Falta de conscientização
- Processos mal definidos
- Acessos excessivos
- Erros humanos
- Ausência de governança
Por isso, normas como a ISO 27001 são tão importantes: elas transformam a segurança em processo organizacional, não em ação pontual.
O papel da consultoria especializada
Implementar normas de segurança da informação não é apenas “seguir um checklist”. É interpretar requisitos, adaptar à realidade do negócio, engajar pessoas e estruturar processos que funcionem de verdade.
Consultorias especializadas ajudam a:
- Traduzir a norma para a prática
- Evitar retrabalho e atrasos
- Preparar a empresa para auditorias
- Criar uma jornada sustentável de segurança
Mais do que conquistar certificados, o objetivo é construir maturidade.
Segurança da informação como vantagem competitiva
Empresas que investem em segurança da informação:
- Transmitem confiança ao mercado
- Aumentam chances em contratos e licitações
- Reduzem riscos financeiros e legais
- Crescem com mais previsibilidade
Em um mundo cada vez mais digital, a confiança virou moeda. A segurança da informação é a base dessa confiança.
Conclusão
Segurança da informação deixou de ser reação a incidentes. Hoje, ela é um planejamento estratégico.
As normas existem para ajudar empresas a sair do improviso, estruturar processos e crescer com segurança. Quem entende isso agora chega em 2026 mais preparado, mais competitivo e mais confiável.
A pergunta não é mais se sua empresa precisa investir em segurança da informação.
É quando vai começar.