26/02/2026 | Redator
A confusão mais comum é tratar ESG como um checklist de atividades:
Tem política escrita?
Tem relatório?
Tem selo?
Mas se você perguntar para um investidor ou para uma multinacional que comprar de você, a resposta provavelmente será outra: não é escrever, é provar. Não é dizer que implementou, é mostrar evidências.
E aí está a diferença entre discurso e execução. Empresas que só “fazem bonito” no marketing estão sendo deixadas para trás, e aquelas que realmente estruturam processos, métricas, governança e transparência estão saindo na frente.
Por que os casos de não conformidade estão aumentando a pressão?
Quando um grande caso de não conformidade aparece, como aquele envolvendo grandes cadeias internacionais, ele serve como um alerta global. E não custa nada lembrar: hoje, qualquer conteúdo negativo pode se espalhar em minutos nas redes sociais, viralizar e atingir sua marca antes mesmo de você entender o que aconteceu.
Não é exagero: a cadeia de fornecimento de uma empresa pode ter centenas ou milhares de parceiros. Se um desses parceiros não cumprir com padrões básicos de direito humano, meio ambiente ou governança, a culpa muitas vezes não fica só com ele. Ela acaba sendo atribuída a toda a cadeia.
E assim, cada vez mais empresas começam a ver que não basta olhar para dentro. É preciso, com urgência, olhar para fora também.
Consumidores e investidores estão cobrando mais
Outro ponto que tem colocado a ESG no centro das atenções é a pressão crescente de consumidores e investidores.
Hoje, 6 em cada 10 diretores corporativos entendem que fortalecer relações com fornecedores via critérios ESG é essencial, não só para a reputação, mas também para o crescimento real do negócio.
Os consumidores estão mais informados e mais conscientes. Eles querem saber não só o que você faz, mas como você faz. E se descobrirem que você está ligado a práticas prejudiciais, mesmo que indiretamente, eles podem simplesmente escolher outra marca, outro fornecedor ou outro parceiro.
ESG nas transações tributárias desafia governo e empresas. Veja a matéria completa.
E o pior: a maioria ainda não está preparada
Pense no seguinte: uma pesquisa mostrou recentemente que 65% das empresas brasileiras não estão preparadas para adotar normas globais de sustentabilidade, que são cada vez mais exigidas em diversos mercados internacionais.
Isso é assustador, porque enquanto o discurso sobre ESG cresce, a prática ainda está atrasada em muitas organizações.
E não estamos falando de algo opcional. Grandes clientes, investidores e até autoridades regulatórias estão cada vez mais exigindo transparência, due diligence e práticas comprovadas ao longo de toda a cadeia de valor.
Governança estratégica virou parte do jogo
O maior erro que muitas empresas cometem é pensar que governança e risco são tarefas exclusivas do departamento jurídico ou de compliance. Na verdade, ESG é estratégia corporativa.
Ele influencia:
✔ Decisões de investimento
✔ Avaliações de risco
✔ Capacidade de atender grandes clientes
✔ Custo de capital
✔ Competitividade internacional
E quando falamos em cadeia de fornecedores, esse impacto é ainda maior: a falta de um fornecedor pode significar a perda de um contrato inteiro, especialmente em setores industriais ou com multicanais de produção.
ESG é… responsabilidade humana, não só corporativa
No fundo, parte do que torna o ESG tão desafiador é que ele envolve pessoas, comunidades e planeta, não apenas números e relatórios.
Quando um caso de não conformidade é exposto, não é só uma multa que está em jogo, são vidas humanas, condições de trabalho, impacto ambiental, comunidades inteiras que podem sofrer consequências reais.
É aí que a cultura corporativa e a responsabilidade social deixam de ser “bonitinho” e passam a ser tema central de sobrevivência de mercado.
O valor real do ESG está na frente, não atrás
O que muitas empresas ainda não entenderam é que o valor do ESG não está em sistemas legados ou em relatórios já feitos. Ele está em:
Ser capaz de antecipar riscos em vez de reagir
Saber quem são seus fornecedores e como eles operam
Demonstrar transparência real e auditável
Integrar ESG com estratégia de longo prazo
Transformar requisitos em vantagem competitiva
Empresas que apenas “seguem a moda” do ESG vão descobrir da pior forma que isso não basta. E os casos de não conformidade que geram pressão justamente mostram isso.
A tecnologia e os processos como aliados
Uma coisa que esse contexto todo coloca em evidência é que ESG não é algo que se controla com planilhas soltas ou processos manuais desconectados.
Ele precisa de:
Ferramentas que integram dados de riscos
Metodologias que conectam gerenciamento de fornecedores
Métricas que são auditáveis
Processos que conectam compliance com estratégia
Não dá para improvisar. O mundo já ficou pequeno para esse tipo de abordagem.
ESG como diferencial competitivo
Se você olhar para as empresas que estão saindo na frente hoje, verá um padrão claro: aquelas que entendem o ESG não como obrigação, mas como diferencial competitivo, estão ganhando mercado.
Assim como investir em inovação, tecnologia e qualidade de produto, empresas que tratam ESG com seriedade são:
Mais resilientes
Mais desejadas por investidores
Mais confiáveis para clientes
Mais preparadas para regulamentações futuras
Não é exagero dizer que, no futuro próximo, quem não se adapta ao ESG deve sentir no bolso mesmo antes de sentir na reputação.
Conclusão
Basicamente, o cenário que estamos vivendo com a pressão por ESG é um sinal claro de uma transformação profunda no mundo corporativo. Empresas não podem mais pensar em sustentabilidade, responsabilidade social ou governança como algo separado das operações, eles são operações.
A cadeia de fornecedores, especialmente, passou de ser um detalhe operacional para ser um centro de governança corporativa moderna. E os casos de não conformidade que viralizam na mídia ou viram notícia global são apenas a ponta do iceberg.
O mundo está dizendo com todas as letras:
ESG não é moda.
ESG é expectativa.
ESG é risco.
ESG é valor.
E quem entender isso primeiro vai ter uma vantagem real no mercado.